Bom, não há muito o que explicar sobre esse post, mas quase me sinto no dever de dizer que ele é bem diferente dos meus outros textos, e que tem como objetivo ser algo leve, nada conspiratório, mas ainda com um teor de reflexão.
Leia e tente entender esse texto (que pode ter uma continuação...).
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Estava passeando entre becos e ruelas quando parou em frente a uma pequena livraria. Há tempos não entrava em uma, e essa parecia lhe convidar. Era simples, nada de sofisticado. Piso de madeira, estantes do mesmo material e um dono já idoso que parecia ser tão simpático quanto sua livraria. Este conjunto de coisas (pequenas, talvez) parecia lhe convidar a entrar. Não hesitou, entrou.
Olhava as prateleiras com cuidado, parecia estar escolhendo um livro entre tantos outros desejados. Dava atenção especial ao enredo dos mesmos. Não gostava de coisas fúteis, muito menos de clichês. Lia e relia o resumo de cada livro. Lia mais uma vez e logo depois concluía que não iria ler nem metade daquele livro.
Os “mestres” chamavam sua atenção. Tinham crédito: haviam revolucionado a sociedade (talvez até “as”) e influenciado várias outras gerações. Mas ele não os queria. Eram comuns demais. Tinha necessidade de algo novo. Não aguentava mais viver em meio aquela falsa cultura. Tinha de se renovar.
Era difícil. Ninguém além dele parecia estar interessado nisso. Todos os livros eram escritos da mesma forma, tinham as mesmas influências, falavam das mesmas coisas, tinham até o mesmo cheiro. Precisava de algo incitante, algo que o levasse onde não esteve nem mesmo em sonhos.
Viu um pequeno livro. Capa amarelada com umas letras escritas a mão e bordas meio dobradas. Não parecia ser o “novo” de que ele precisava. Era velho, como poderia realmente suprir suas necessidades tão atuais? Pensou e repensou algumas tantas vezes e então pegou o livro. Já estava ali, por que não arriscar?
Abriu-o e leu na primeira página:
Assustou-se. Como poderia ser tão certeiro? Como teria encontrado, justamente ali, naquela pequena livraria, um livro que (supostamente) era o que há tanto procurava? Não fazia ideia e justamente por isso relutava.
Um romance... Quem diria... Um romance. Ele temia até mesmo esta palavra. Não podia ler aquilo. O que aconteceria depois o que lesse? Ficaria doente? Morreria de uma doença de cunho inexplicável? Não sabia. Apenas sabia que não podia ler aquilo.
Mas... Ali estava o que ele tanto procurava, algo “novo”. E se não lesse? Estaria simplesmente fadado a ter de aceitar aquele “monotonismo” ao qual tanto relutava. Precisava ler, mas sabia que não conseguia. Mas tinha! Que dilema...
Estava aflito, suava frio. Nunca algo tinha lhe perturbado tanto. Talvez já tivesse passado por isso, mas o medo devia ter lhe vencido e assim, feito desistir. Mas dessa vez tinha de ser diferente. Talvez nunca mais tivesse outra chance. Precisava vencer-se.
Estava prestes a desmaiar, mas não podia, era forte, sabia disso. Decidiu-se. Enfrentaria aquilo. Estava disposto a mudar por completo, iria aceitar o tal novo que procurava. Olhou para a capa, viu o preço: 10 reais - um preço baixo por tanta mudança, diga-se de passagem.
Pagou e saiu da livraria com uma velocidade impressionante. Tinha pressa, não aguentava esperar mais nem um segundo. Correu o mais rápido que pôde. Correu e correu. Olhou para suas mãos, lá estava o livro. Olhou para trás, não havia mais livraria.
Clique aqui para ler a próxima parte.
Leia e tente entender esse texto (que pode ter uma continuação...).
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Estava passeando entre becos e ruelas quando parou em frente a uma pequena livraria. Há tempos não entrava em uma, e essa parecia lhe convidar. Era simples, nada de sofisticado. Piso de madeira, estantes do mesmo material e um dono já idoso que parecia ser tão simpático quanto sua livraria. Este conjunto de coisas (pequenas, talvez) parecia lhe convidar a entrar. Não hesitou, entrou.
Olhava as prateleiras com cuidado, parecia estar escolhendo um livro entre tantos outros desejados. Dava atenção especial ao enredo dos mesmos. Não gostava de coisas fúteis, muito menos de clichês. Lia e relia o resumo de cada livro. Lia mais uma vez e logo depois concluía que não iria ler nem metade daquele livro.
Os “mestres” chamavam sua atenção. Tinham crédito: haviam revolucionado a sociedade (talvez até “as”) e influenciado várias outras gerações. Mas ele não os queria. Eram comuns demais. Tinha necessidade de algo novo. Não aguentava mais viver em meio aquela falsa cultura. Tinha de se renovar.
Era difícil. Ninguém além dele parecia estar interessado nisso. Todos os livros eram escritos da mesma forma, tinham as mesmas influências, falavam das mesmas coisas, tinham até o mesmo cheiro. Precisava de algo incitante, algo que o levasse onde não esteve nem mesmo em sonhos.
Viu um pequeno livro. Capa amarelada com umas letras escritas a mão e bordas meio dobradas. Não parecia ser o “novo” de que ele precisava. Era velho, como poderia realmente suprir suas necessidades tão atuais? Pensou e repensou algumas tantas vezes e então pegou o livro. Já estava ali, por que não arriscar?
Abriu-o e leu na primeira página:
Um romance para alguém tão descontente quanto eu. Alguém este que talvez não saiba mais o que buscar, muito menos onde buscar. Alguém que precisa de algo novo.
Assustou-se. Como poderia ser tão certeiro? Como teria encontrado, justamente ali, naquela pequena livraria, um livro que (supostamente) era o que há tanto procurava? Não fazia ideia e justamente por isso relutava.
Um romance... Quem diria... Um romance. Ele temia até mesmo esta palavra. Não podia ler aquilo. O que aconteceria depois o que lesse? Ficaria doente? Morreria de uma doença de cunho inexplicável? Não sabia. Apenas sabia que não podia ler aquilo.
Mas... Ali estava o que ele tanto procurava, algo “novo”. E se não lesse? Estaria simplesmente fadado a ter de aceitar aquele “monotonismo” ao qual tanto relutava. Precisava ler, mas sabia que não conseguia. Mas tinha! Que dilema...
Estava aflito, suava frio. Nunca algo tinha lhe perturbado tanto. Talvez já tivesse passado por isso, mas o medo devia ter lhe vencido e assim, feito desistir. Mas dessa vez tinha de ser diferente. Talvez nunca mais tivesse outra chance. Precisava vencer-se.
Estava prestes a desmaiar, mas não podia, era forte, sabia disso. Decidiu-se. Enfrentaria aquilo. Estava disposto a mudar por completo, iria aceitar o tal novo que procurava. Olhou para a capa, viu o preço: 10 reais - um preço baixo por tanta mudança, diga-se de passagem.
Pagou e saiu da livraria com uma velocidade impressionante. Tinha pressa, não aguentava esperar mais nem um segundo. Correu o mais rápido que pôde. Correu e correu. Olhou para suas mãos, lá estava o livro. Olhou para trás, não havia mais livraria.
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Matheus G. Carlos,
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Um romance de 10 reais
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