Caso não tenha assistido esse filme vou fazer um pequeno resumo:

Dois caras (um gay assumido, mas não revelado, e um gay enrustido e não relevado) acabam por trabalharem juntos cuidando de um rebanho numa montanha (Brokeback). Num dia de muito frio eles resolvem que precisam se “esquentar” e transam (cena devidamente documentada no filme, com exceção da penetração, tipo Cine Band Privê).

Ao acordarem, um deles (o não assumido) está muito puto e não consegue acreditar no que aconteceu. Isso com o tempo vai sumindo, e ele percebe que ama o vaqueiro. Ama, mas não pode estar perto dele, pois a sociedade não aceita isso. Ambos se casam (com mulheres) e mantém um caso enquanto isso.

Você já deve estar “revoltado” (e se você for um conservadorista a palavra pode ir sem aspas mesmo) com tal ultraje, e de certo não quer assistir o filme. Deve achar também que direi para você assistir, pois só assim poderemos debater sobre sexualismo/escolha sexual de uma forma digna, indo contra estes preconceitos medievais.

Só que eu não direi. Não que eu seja um conservadorista que odeia gays e acha que tal filme deveria ser proibido, mas sim porque eu fiquei indiferente ao filme. Sim, eu fiquei indiferente.



Não sei se isto é um problema, se significa que eu tenho preconceito contra gays, mas é estranho você ver uma história de amor gay, principalmente quando ela é retratada exatamente da mesma forma que uma história de amor hétero, homem-mulher. Há conflitos, há relutância da família, há preconceito (que no caso da história hétero poderia ser racial) e uma série de outros problemas que estamos acostumados a ver em blockbusters.

Eu talvez tenha ficado indiferente pelo fato do “exatamente igual”, por achar que um “amor gay” foge das barreiras do “amor hétero” e é algo completamente surreal, vindo de outro universo e cheio de purpurina. Ou seja, o filme foi um soco direto na cara.

É um mal nosso achar que tudo que está fora das nossas vidas é algo totalmente diferente, assim como o vizinho também acha que nossas vidas são totalmente diferentes da dele, mesmo nós sendo 99,9% iguais.

O caso então só piora quando envolvemos o “amor”, porque mulheres choram ao ver a declaração de amor do galã que seu (ex)namorado nunca fez pra ela, e homens choram ao perceberem que fizeram uma declaração exatamente igual e foram chamados de cafona. Só que ninguém sabe se portar quando um homem se declara para o outro, ou seja, ficamos indiferentes (e os conservadoristas procuram alguém para processar).

Não pretendo me estender sobre este assunto, mas, apesar de a história (de amor) do filme continuar me levando à indiferença, posso dizer que a mesma me faz pensar, e não foi pouco. A “quebra da realidade” é grande para algo que tratamos como simples.

Se eu volto atrás e recomendo o filme? Não sei, você está preparado?

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