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Resolveu dar uma volta. Pegou as chaves do carro e foi até o elevador. Iria demorar a chegar. Tinha pressa, preferiu descer os 15 andares de escada. Chegou à garagem, entrou no carro e saiu em disparada.

Maldito trânsito. Não colabora nem quando uma pessoa está aflita com sua morte. Não há nenhuma lei que dê passagem livre pra essas pessoas? Já vão morrer mesmo, por que não dar pelo menos a chance de correr pelas ruas? É, não há.

Finalmente conseguiu uma via. Não hesitou e começou a correr na tentativa de libertar-se de seus problemas. Mas alguém, uma mulher, para ser mais exato, parecia querer o mesmo. Chocaram-se à esquina de uma loja de doces chamada “La Dolce Vita”. Haha, que irônico.



Saíram dos carros e xingaram-se como bons cidadãos. Cada um com seus problemas, precisavam extravasar um pouco. Conter-se é para os fracos. “A terra é dos exaltados”, alguém já deve ter dito.

Acalmaram-se um pouco. A mulher correu, sentou na calçada e começou a chorar. É, ela tinha um problema grave. Daniel estava mal, mas sabia que não podia deixá-la daquele jeito. Havia muitas pessoas olhando, um cavalheiro não faria isso. Aproximou-se.

Sentou ao seu lado, tentou conversar com ela, mas a voz não saia. Tentou mais uma vez, conseguiu. Bom, ela não gostou dele ter conseguido, mandou calar-se. Ele tentou mais uma vez, ganhou um empurrão. Mulher difícil. Olhou para dentro do carro e viu uma carta em cima do banco. Era o envelope vermelho.

Entendeu o motivo de ela estar daquele jeito. Aproximou-se mais um pouco e sussurrou ao seu ouvido:

- Meu nome é Daniel e nós estamos na mesma situação. Meu nome também está na lista.

Ela parou de chorar. Olhou para ele com um olhar estranho. Era uma mistura de compaixão com ódio. Ele recuou um pouco, mas logo voltar a aproximar-se arriscando até uma distância menor. Falou-lhe:

- Olhe, a situação não está boa para nenhum de nós. Estamos sendo ameaçados por motivos desconhecidos e por pessoas desconhecidas. Mas, não sei, talvez possamos nos ajudar de alguma forma. Você não sabe de nada, sabe?

Silêncio.

- Se você ficar calada não irá servir de nada. Estamos prestes a ser mortos, não é muito inteligente ficarmos parados e esperar.

Ela zangou-se. Não gostou de tal afirmação. Praguejou-lhe:

- Idiota! Eu tenho marido e filhos, não posso brincar com isso. Não sei o porquê disso, não sei porque fariam isso, mas não posso arriscar e ficar brincando de gato e rato.

Levantou-se e tentou correr, mas Daniel puxou-lhe pelo braço. O medo desapareceu e foi substituído pelo mais puro ódio. Não gostava de pessoas que pensavam apenas em si. Não era só por ele, mas por todas as outras pessoas que estavam sendo ameaçadas. Algo tinha de ser feito.

Ela tentou forçar, mas não conseguiu livrar-se. Resolveu gritar. Daniel deu-se conta de que estava na rua, não era inteligente abordar uma mulher daquele jeito. Soltou-a e a viu indo para o carro.

Mas aquilo não podia ficar daquele jeito. Aquele encontro podia ser a solução que ele procurava. Resolveu segui-la. Esperou a multidão afastar-se e iniciou a perseguição.

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Comentários (3)

On 8 de janeiro de 2010 13:58 , Lara. disse...

esse cara é um grande estúpido. ele deveria contar a polícia e fazer que a mesma pegue o psicopata que está matando todo mundo.

você escreve bem, indeed.

 
On 11 de janeiro de 2010 20:36 , Matheus G. Carlos disse...

Obrigado.

Sei lá se ele é estúpido, hehe. Deve ser o medo agindo nele.

 
On 17 de janeiro de 2010 22:35 ,
J.Bruno disse...

ei cara coloque logo tudo!
eu fico morrendo de curiosidade nessas historias publicadas aos poucos xD