De sua rede ele contava causos, memórias de um passado o qual ninguém sabia se existiu ou não. Professava experiências, relatava a seca, a guerra, a fome e vez ou outra arriscava sobre a criação do mundo e a interpretar evangelhos.
Todos o escutavam com aquela paciência fingida, ignoravam seus sonhos tão antigos, riam de suas anedotas tão comuns à época, sua época. Olhavam-no com aquele olhar singelo de respeito e um bocado de dúvida. “Será mesmo?”.
Ele os olhava sem os reconhecer, tudo era uma massa cinzenta que poderia ser facilmente confundida com um céu nublado. Ainda assim ele se esforçava - “Quem é?” -, tentava reconhecer as vozes, essa característica tão mutável quantos os segundos de um relógio. O esforço não era o bastante, ele sabia, mas já não lhe custava muito tentar.
Entoava canções estranhas para metade dos que o observavam, “canções de vida boemia”. O baralho ainda lhe passava pelos dedos, ele podia sentir. O chapéu ainda era sua marca, ainda o fazia ostentar aquele ser que fora, que desbravava matas e caminhava quilômetros sem nem mesmo perceber.
Lembrava de sua flor que agora dorme. Lembrava do que ela teve que aturar, dos casos que ela sabia e ignorava (ou tentava). Ele sabia que não era nenhum exemplo, mas talvez não lhe passasse pela cabeça estar errado, tudo era “coisa de outros tempos”. Sim, de outros tempos.
Agora prometia casas e fortunas, tudo fruto de sua juventude rica e próspera. Perguntavam-lhe onde estava essa sua prosperidade, mas ele não sabia responder, só fazia especulações, dizia que era coisa de jogo.
Reclamava das dores, das lágrimas e das perdas. Não suportava muito mais, o corpo estava fraco. Vez ou outra especulava uma data para o fim, mas, talvez para sua decepção, ela nunca se cumpria. Ainda assim ele aturava, é a ordem natural, todos passamos por ela.
Tentava mudar a ordem em alguns momentos, mas logo desistia, não via mais sentido. Todos sabiam: os fios brancos pesavam-lhe à cabeça.
Todos o escutavam com aquela paciência fingida, ignoravam seus sonhos tão antigos, riam de suas anedotas tão comuns à época, sua época. Olhavam-no com aquele olhar singelo de respeito e um bocado de dúvida. “Será mesmo?”.
Ele os olhava sem os reconhecer, tudo era uma massa cinzenta que poderia ser facilmente confundida com um céu nublado. Ainda assim ele se esforçava - “Quem é?” -, tentava reconhecer as vozes, essa característica tão mutável quantos os segundos de um relógio. O esforço não era o bastante, ele sabia, mas já não lhe custava muito tentar.
Entoava canções estranhas para metade dos que o observavam, “canções de vida boemia”. O baralho ainda lhe passava pelos dedos, ele podia sentir. O chapéu ainda era sua marca, ainda o fazia ostentar aquele ser que fora, que desbravava matas e caminhava quilômetros sem nem mesmo perceber.
Lembrava de sua flor que agora dorme. Lembrava do que ela teve que aturar, dos casos que ela sabia e ignorava (ou tentava). Ele sabia que não era nenhum exemplo, mas talvez não lhe passasse pela cabeça estar errado, tudo era “coisa de outros tempos”. Sim, de outros tempos.
Agora prometia casas e fortunas, tudo fruto de sua juventude rica e próspera. Perguntavam-lhe onde estava essa sua prosperidade, mas ele não sabia responder, só fazia especulações, dizia que era coisa de jogo.
Reclamava das dores, das lágrimas e das perdas. Não suportava muito mais, o corpo estava fraco. Vez ou outra especulava uma data para o fim, mas, talvez para sua decepção, ela nunca se cumpria. Ainda assim ele aturava, é a ordem natural, todos passamos por ela.
Tentava mudar a ordem em alguns momentos, mas logo desistia, não via mais sentido. Todos sabiam: os fios brancos pesavam-lhe à cabeça.




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