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Não era uma perseguição muito performática. Estavam esperando a morte, mas não queriam apressar sua chegada. O “encontro” anterior foi suficiente. Algumas ruas mais apertadas, sinais, carros e mais carros...
Finalmente a perseguição parecia estar acabando. Entraram num bairro residencial, a mulher começou a reduzir a velocidade até parar em frente a uma casa. Casa bonita, nada espetacular, mas demonstrava conforto, aconchego. Daniel parou um pouco atrás.
A mulher desceu do carro, suas feições ainda demonstravam raiva. Daniel desceu e começou a aproximar-se ainda mais. Tinha de falar com ela. Esperou um pouco e deixou que ela chegasse à porta de sua casa. Foi aí que a abordou.
- Nós temos que conversar.
- Como assim nós temos que conversar? Você me seguiu até aqui, não foi, seu miserável? Eu vou chamar a polícia! Você deve ser um desses que estão me ameaçando, aposto. Saia daqui!
Ela entrou e tentou fechar a porta, mas Daniel chutou-a com força. Forçou até conseguir entrar. Viu onde ela vivia: duas crianças, um garoto e uma garota, brincavam em meio a móveis e pratos quebrados. Um furacão parecia ter passado por ali.
- Estou dizendo, eu vou chamar a polícia. Saia daqui.
Seus filhos correram e esconderam-se debaixo de uma mesa. Pareciam ter costume em fazer aquilo, foi algo quase automático. Não demorou muito e sua filha começou a chorar.
- Está vendo? Você está assustando meus filhos. Eles não merecem passar por isso. Por favor, nos deixe em paz. Por favor!
Ela começou a chorar. Estava realmente desesperada. Daniel pensou em sair, mas achou que seria melhor tentar ajudá-la. Encostou a porta, sentou-a no sofá rasgado e foi até a geladeira em busca de água. Tentou entregar-lhe o copo, mas ela recusou. Deixou em cima da mesa.
Ficou olhando atônito para aquilo. Será que os filhos dela sabiam? Não, ela não teria coragem de contar algo do tipo logo para seus filhos. Olhou para eles, não paravam de chorar. Tentou dar um sorriso, mas foi aí que percebeu que isso já não era possível. O “homem sorriso” agora já não estampava felicidade. Entre lágrimas e soluços a mulher começou a falar:
- Não sei seu nome, não sei se tem filhos, não sei como passa seus dias, a única coisa que sei é que eu já não aguento mais isso. Por favor, não me traga mais sofrimento. Vê essas crianças? Não sei como anda fico de pé para cuidar delas. Já não tenho forças.
- Então me deixe te ajudar!
- Idiota! O que você irá fazer por mim se não pode fazer nem por você? Não se trata só dessa ameaça, mas de tudo na minha vida. Há tempos já não sei o que é felicidade.
Ouviu-se um empurrão na porta e um homem bêbado entrou. Observou um pouco e logo começou a gritar.
- Sua vadia! Eu sabia, tá me traindo, não é? Então tu é o cabra que tá saindo com a minha mulher, não é?
- Como assim? Escuta aqui, nunca sai com ela, só tô aqui tentando conseguir umas respostas.
- Resposta, né? Eu vou te dar uma resposta.
Sacou uma arma da calça e apontou-a em direção a Daniel. Estava destinado a atirar, mas tremia a todo momento.
- Abaixa essa arma, Marcos! Abaixa isso!
- Não vou abaixar porra nenhuma! E tu te cala se não tu vai pegar um...
Ele acabou disparando a arma. O álcool e a raiva controlavam seu corpo, todo o resto era feito inconscientemente. Um tiro direto em sua cabeça, sem chances de sobrevivência.
Daniel olhava a cena enquanto as crianças gritavam desesperadamente. Seu corpo estava paralisado, mas isso não demorou muito. O marido dela também estava parado, mas ele sabia que isso podia não demorar. Resolveu correr e sair dali.
Correu até chegar ao seu carro, e por pouco não esqueceu como abrir a porta. Acelerou e saiu sem controle até recuperar parte de sua consciência. Esteve perto da morte, mas não foi sua vez, ainda tinha algum tempo. A lista, entretanto, tinha um alvo a menos.
Não era uma perseguição muito performática. Estavam esperando a morte, mas não queriam apressar sua chegada. O “encontro” anterior foi suficiente. Algumas ruas mais apertadas, sinais, carros e mais carros...
Finalmente a perseguição parecia estar acabando. Entraram num bairro residencial, a mulher começou a reduzir a velocidade até parar em frente a uma casa. Casa bonita, nada espetacular, mas demonstrava conforto, aconchego. Daniel parou um pouco atrás.
A mulher desceu do carro, suas feições ainda demonstravam raiva. Daniel desceu e começou a aproximar-se ainda mais. Tinha de falar com ela. Esperou um pouco e deixou que ela chegasse à porta de sua casa. Foi aí que a abordou.
- Nós temos que conversar.
- Como assim nós temos que conversar? Você me seguiu até aqui, não foi, seu miserável? Eu vou chamar a polícia! Você deve ser um desses que estão me ameaçando, aposto. Saia daqui!
Ela entrou e tentou fechar a porta, mas Daniel chutou-a com força. Forçou até conseguir entrar. Viu onde ela vivia: duas crianças, um garoto e uma garota, brincavam em meio a móveis e pratos quebrados. Um furacão parecia ter passado por ali.
- Estou dizendo, eu vou chamar a polícia. Saia daqui.
Seus filhos correram e esconderam-se debaixo de uma mesa. Pareciam ter costume em fazer aquilo, foi algo quase automático. Não demorou muito e sua filha começou a chorar.
- Está vendo? Você está assustando meus filhos. Eles não merecem passar por isso. Por favor, nos deixe em paz. Por favor!
Ela começou a chorar. Estava realmente desesperada. Daniel pensou em sair, mas achou que seria melhor tentar ajudá-la. Encostou a porta, sentou-a no sofá rasgado e foi até a geladeira em busca de água. Tentou entregar-lhe o copo, mas ela recusou. Deixou em cima da mesa.
Ficou olhando atônito para aquilo. Será que os filhos dela sabiam? Não, ela não teria coragem de contar algo do tipo logo para seus filhos. Olhou para eles, não paravam de chorar. Tentou dar um sorriso, mas foi aí que percebeu que isso já não era possível. O “homem sorriso” agora já não estampava felicidade. Entre lágrimas e soluços a mulher começou a falar:
- Não sei seu nome, não sei se tem filhos, não sei como passa seus dias, a única coisa que sei é que eu já não aguento mais isso. Por favor, não me traga mais sofrimento. Vê essas crianças? Não sei como anda fico de pé para cuidar delas. Já não tenho forças.
- Então me deixe te ajudar!
- Idiota! O que você irá fazer por mim se não pode fazer nem por você? Não se trata só dessa ameaça, mas de tudo na minha vida. Há tempos já não sei o que é felicidade.
Ouviu-se um empurrão na porta e um homem bêbado entrou. Observou um pouco e logo começou a gritar.
- Sua vadia! Eu sabia, tá me traindo, não é? Então tu é o cabra que tá saindo com a minha mulher, não é?
- Como assim? Escuta aqui, nunca sai com ela, só tô aqui tentando conseguir umas respostas.
- Resposta, né? Eu vou te dar uma resposta.
Sacou uma arma da calça e apontou-a em direção a Daniel. Estava destinado a atirar, mas tremia a todo momento.
- Abaixa essa arma, Marcos! Abaixa isso!
- Não vou abaixar porra nenhuma! E tu te cala se não tu vai pegar um...
Ele acabou disparando a arma. O álcool e a raiva controlavam seu corpo, todo o resto era feito inconscientemente. Um tiro direto em sua cabeça, sem chances de sobrevivência.
Daniel olhava a cena enquanto as crianças gritavam desesperadamente. Seu corpo estava paralisado, mas isso não demorou muito. O marido dela também estava parado, mas ele sabia que isso podia não demorar. Resolveu correr e sair dali.
Correu até chegar ao seu carro, e por pouco não esqueceu como abrir a porta. Acelerou e saiu sem controle até recuperar parte de sua consciência. Esteve perto da morte, mas não foi sua vez, ainda tinha algum tempo. A lista, entretanto, tinha um alvo a menos.




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