Trabalho, trabalho, trabalho! Era só isso que tinha em sua vida. Levantava todos os dias tendo como única certeza o trabalho e os lucros que este lhe traria. A família, constituída por esposa e dois filhos (um garoto de 10 anos e uma garota de 8), tinha sua sustentação no trabalho daquele homem. Tudo girava em torno de seu trabalho.

Saia de manhã com pressa, mal tomava o café que sua esposa fazia com tanto cuidado e dedicação. Os filhos só tinham tempo de ouvir o barulho do carro ao deixar a casa. Cortava as ruas com aquela insanidade característica de pilotos de corrida. Adrenalina pura.



Mas, se havia uma coisa que ele odiava quando estava em seu carro era ter que desviar dos ciclistas. Malditos ciclistas! Por que insistiam em andar pelas ruas mesmo quando havia ciclovias? Será que ninguém além dele tinha raiva daqueles seres? Ninguém mais os julgava como os “parasitas da rua”?

Aparentemente não. E então, todos os dias ele tinha que conviver com tais seres ao deslocar-se de sua casa para o trabalho, e vice-versa. Ele sabia que talvez não conseguisse aturar por mais muito tempo, mas tudo bem, eles não estavam atrapalhando seu trabalho, não é verdade?

Só que às vezes o universo conspira contra seus habitantes, e uma manhã comum pode tornar-se a manhã em que um ciclista arranca um retrovisor de seu carro. “Malditos parasitas!”, ele esbravejou. Problemas costumam trazer consigo outros problemas, e este lhe trouxe alguns minutos de atraso no trabalho, puro prejuízo.

Aquilo, claro, não ficaria “por isso mesmo”, ele precisava dar um jeito de exterminar aqueles parasitas. Tinha a certeza que várias outras pessoas concordavam com ele, muitas só não expunham suas opiniões (tão idênticas a dele) por medo do julgo de outrem. Mas ele daria o passo inicial.

Ao sair do trabalho já tinha todo o plano em mente, sabia muito bem o que iria fazer. Deixou a adrenalina tomar posse de seu corpo e estava apenas à espera de uma vítima.

Começou a entrar em desespero, nenhum ciclista se dispôs a cruzar seu caminho. Ele precisava concluir seu plano e tinha de ser naquela noite.

Faltavam apenas 4 quarteirões para chegar em casa quando avistou um daqueles seres. Acelerou ainda mais o carro, indo de encontro ao tal ser. Contava os segundos para o impacto. A espera se transformou em fato. Ainda teve tempo de ver os olhos de sua vítima, o olhar lhe era familiar.

Desceu do carro para apreciar a cena e então a familiaridade se explicou: havia matado seu filho.

Um corpo, um trabalhador, uma única estrela a brilhar no céu. Apenas mais um dia numa cidade.

Comentários (6)

On 8 de julho de 2010 23:13 , Lara. disse...

matheus g. carlos e seus psicopatas. rs

 
On 9 de julho de 2010 01:10 , Matheus G. Carlos disse...

Haha. Pior que esse comentário me deixa na dúvida se esse é um problema ou não. Mas, tomarei como um elogio...

 
On 13 de julho de 2010 22:38 , Lara. disse...

é um elogio, meu caro. :)

 
On 3 de outubro de 2010 12:50 , robertinha disse...

esse tipo de história é bem tua cara

 
On 3 de outubro de 2010 14:52 , Matheus G. Carlos disse...

Roberta! É sério? haha.

Valeu pela visita e pelo comentário!

 
On 28 de outubro de 2010 10:48 ,
Anônimo disse...

Legal ta hstorias. nunca tinha visto mais achei legal. Vou dvulgar te blog. Valeu Matheus G. Carlos.