Esse texto não foi escrito nem hoje, nem ontem, nem semana passada, mas ainda é quase tão atual quanto.
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Já estou há algumas horas maquinando como escrever esse texto, e sempre o começo, o meio e o fim são diferentes, mas sei bem que no fundo eu só quero explicar a afirmação “Eu não sei amar”.
Um dos começos para esse texto é o de que estou passando mal – Eu realmente estou passando mal –. Não me alimento bem durante as férias, e os complementos de vitamina C e de todas as do complexo B não parecem ser suficientes, nem mesmo em conjunto com o zinco. Nem em conjunto com o achocolatado que encontro na geladeira. Mas esse é só um dos começos.
Pra falar a verdade, vou tentar escrever outro começo, começando logo no próximo parágrafo.
Aqui está, um novo começo.
Meu coração está batendo forte, eu estou nervoso, estou com vontade de chorar. Ontem briguei com minha namorada e percebi mais uma vez que não sei lidar com as pessoas com quem convivo, para as quais digo (ou simplesmente já disse) “Eu te amo”. Eu grito, não com elas, mas para elas ouvirem meus gritos. Eu as machuco, não para que sintam dor física, mas para que depois eu tenha um pouco desse sabor amargo de suco gástrico na boca e que parece significar “Venci esta batalha, agora só tenho de esperar pela próxima.”. Eu choro pelo medo de perdê-las, mas não sei o que fazer até o dia em que este momento irá inevitavelmente chegar. Resumindo, eu não sei amar.
Estou aqui tentando escrever e a todos os momentos a palavra “medo” me vem à mente. Mas, de que eu tenho medo? Bom, é uma lista grande. Eu tenho medo de ser como meus pais, tenho medo de um dia gritar com meus filhos e dizer que eu preferia ter outra vida, que nunca deveria ter tido-os, que não deveria ter me casado. Tenho medo de que um dia meu filho descubra que eu traí sua mãe, e que isso é uma coisa normal. Eu tenho medo de ser normal.
Eu tenho medo de ser um herói, e de que um dia descubram que eu fui apenas alguém com boa oratória e que tinha um QG para “atividades ilícitas”. Eu tenho medo de ser tudo aquilo contra o que luto, tudo aquilo sobre o que eu digo “Está errado!”, tudo aquilo que já me deixou noites acordado.
Eu tenho medo de lutar só, de descobrir que tudo aquilo em que acredito talvez seja uma verdade, mas uma verdade pela qual ninguém mais se interessa. Ou de descobrir que tudo é uma mentira, uma mentira pela qual ninguém mais se interessa. Assim como eu também tenho medo de lutar e nada conseguir.
Eu também tenho medo de perder o amor. “O amor?”. É, “o amor”. Meu medo não é de perder “um grande amor”, mas de perder a outra pessoa que seria a única na vida pela qual eu poderia ter sentimentos verdadeiros. Sim, estou falando aqui que acho que o amor só aparece uma vez em nossas vidas, mas também estou falando que eu simplesmente tenho medo de perder a pessoa que eu amo, afinal, talvez ela não seja a única a quem poderei dedicar amor, mas como poderei encontrar outro amor, quanto tempo levarei para encontrá-lo? Irei encontrá-lo?
Sim, também tenho medo de grandes mudanças. E talvez também das médias... Tá, e vez ou outra das pequenas. Mas o que posso fazer? Eu simplesmente tenho medo.
Eu sou ignorante com as outras pessoas, bruto. Eu as faço terem vontade de chorar, e às vezes até choram. Mas eu também não sei o que fazer. Não é apenas tentar ser mais gentil, ser mais dócil... Não, não é só isso. Eu já tentei isso. Há algo que me faz querer ficar isolado, algo que não quer mais ninguém dentro do meu quarto, mais ninguém (além de mim mesmo) para me ver chorar quando sentir vontade. Mais ninguém para me ver tentando gritar - mas apenas tentar, porque o fato dos outros não entrarem no meu quarto não significa que não podem ouvir de fora do meu quarto -.
Eu já perdi a conta de quantas vezes chorei sozinho, quantas vezes sofri sozinho. Perdi a conta das vezes em que abafei meu choro no colchão da cama e depois fui para o banheiro para lavar meu rosto, evitando, assim, que alguém me visse com os olhos lacrimejando. Na verdade o banheiro era uma forma de continuar com meu choro sem que alguém me interrompesse ao tentar pegar emprestada uma tesoura.
Eu não quero que os outros sofram sozinhos como eu às vezes sofro. Até acho que quando outrem pode vir a mim para não sofrer sozinho e não vem, ele está sendo idiota. Mas, claro, eu que estou sendo. Estou sendo porque talvez eu esteja sendo o motivo de tal sofrimento, e, convenhamos, não é fácil curar um sofrimento olhando para quem o causa.
Eu tenho medo de que descubram que eu não sou tão bom quanto pensam, tenho medo de ser substituído. Não sou o mais inteligente, o mais paciente, o mais alto, o mais forte, nem o que tem mais dotes para ser ator pornô. E o Word está reclamando que na frase anterior a palavra “mais” foi repetida várias vezes. Foda-se.
É, são muitos medos. Mas posso resumi-los: Eu tenho medo de não ser alguém realmente bom, alguém que faça A diferença, tenho medo de não ter o amor que penso merecer, tenho medo de ficar só. E sabe o que faço com todos estes medos? Eu não me esforço (ou me esforço muito pouco) para ser a pessoa que faz ou fará a diferença. Eu não dou o amor que os outros merecem. Eu deixo os outros ficarem sós. Sim, eu alimento meus medos. Mas, não, não é porque quero, é porque eu fiquei viciado na comida da qual eu não provei. Acho que me viciei na instabilidade.
Olha, não sei mais o que escrever, não sei se tenho mais algum medo para adicionar à lista. Quer dizer, eu até tenho, mas são medos derivados daqueles que resumi, creio eu.
Se você for psicólogo e estiver lendo esse texto, por favor, não ache que eu preciso de tratamento - Eu já sei disso -. Se você for um mero transeunte entre tantas letras, por favor, tenha calma, eu acho que isso não é tão contagioso assim. É contagioso, mas você não irá pegar só por minha causa. Se você for alguém para o qual eu já disse “Eu te amo”, por favor, considere me deixar só.
Sim, eu sei, eu disse que tenho medo de ficar só, mas você não tem porque ser dono dos mesmos medos que eu. Se você quiser ser mais forte que eu e não pensar no meu medo, por favor, sinta-se livre para me deixar. Sim, eu irei ficar com raiva de você, mas só por causa dos meus medos e de como não sei o que fazer para abandoná-los. Entretanto, se você não quiser me deixar eu agradecerei. Talvez eu não demonstre isso, mas haverá em mim uma parte que te será grata.
...
Sim, eu também sei que ainda não expliquei a afirmação “Eu não sei amar”, mas isso é fácil: Porque eu tenho medo.
Como último parágrafo quero deixar uma súplica: Se eu não conseguir ser o que prometo ou o que simplesmente quero, por favor, não fique com raiva de mim.
P.S.: Obrigado e até o próximo desabafo.
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Já estou há algumas horas maquinando como escrever esse texto, e sempre o começo, o meio e o fim são diferentes, mas sei bem que no fundo eu só quero explicar a afirmação “Eu não sei amar”.
Um dos começos para esse texto é o de que estou passando mal – Eu realmente estou passando mal –. Não me alimento bem durante as férias, e os complementos de vitamina C e de todas as do complexo B não parecem ser suficientes, nem mesmo em conjunto com o zinco. Nem em conjunto com o achocolatado que encontro na geladeira. Mas esse é só um dos começos.
Pra falar a verdade, vou tentar escrever outro começo, começando logo no próximo parágrafo.
Aqui está, um novo começo.
Meu coração está batendo forte, eu estou nervoso, estou com vontade de chorar. Ontem briguei com minha namorada e percebi mais uma vez que não sei lidar com as pessoas com quem convivo, para as quais digo (ou simplesmente já disse) “Eu te amo”. Eu grito, não com elas, mas para elas ouvirem meus gritos. Eu as machuco, não para que sintam dor física, mas para que depois eu tenha um pouco desse sabor amargo de suco gástrico na boca e que parece significar “Venci esta batalha, agora só tenho de esperar pela próxima.”. Eu choro pelo medo de perdê-las, mas não sei o que fazer até o dia em que este momento irá inevitavelmente chegar. Resumindo, eu não sei amar.
Estou aqui tentando escrever e a todos os momentos a palavra “medo” me vem à mente. Mas, de que eu tenho medo? Bom, é uma lista grande. Eu tenho medo de ser como meus pais, tenho medo de um dia gritar com meus filhos e dizer que eu preferia ter outra vida, que nunca deveria ter tido-os, que não deveria ter me casado. Tenho medo de que um dia meu filho descubra que eu traí sua mãe, e que isso é uma coisa normal. Eu tenho medo de ser normal.
Eu tenho medo de ser um herói, e de que um dia descubram que eu fui apenas alguém com boa oratória e que tinha um QG para “atividades ilícitas”. Eu tenho medo de ser tudo aquilo contra o que luto, tudo aquilo sobre o que eu digo “Está errado!”, tudo aquilo que já me deixou noites acordado.
Eu tenho medo de lutar só, de descobrir que tudo aquilo em que acredito talvez seja uma verdade, mas uma verdade pela qual ninguém mais se interessa. Ou de descobrir que tudo é uma mentira, uma mentira pela qual ninguém mais se interessa. Assim como eu também tenho medo de lutar e nada conseguir.
Eu também tenho medo de perder o amor. “O amor?”. É, “o amor”. Meu medo não é de perder “um grande amor”, mas de perder a outra pessoa que seria a única na vida pela qual eu poderia ter sentimentos verdadeiros. Sim, estou falando aqui que acho que o amor só aparece uma vez em nossas vidas, mas também estou falando que eu simplesmente tenho medo de perder a pessoa que eu amo, afinal, talvez ela não seja a única a quem poderei dedicar amor, mas como poderei encontrar outro amor, quanto tempo levarei para encontrá-lo? Irei encontrá-lo?
Sim, também tenho medo de grandes mudanças. E talvez também das médias... Tá, e vez ou outra das pequenas. Mas o que posso fazer? Eu simplesmente tenho medo.
Eu sou ignorante com as outras pessoas, bruto. Eu as faço terem vontade de chorar, e às vezes até choram. Mas eu também não sei o que fazer. Não é apenas tentar ser mais gentil, ser mais dócil... Não, não é só isso. Eu já tentei isso. Há algo que me faz querer ficar isolado, algo que não quer mais ninguém dentro do meu quarto, mais ninguém (além de mim mesmo) para me ver chorar quando sentir vontade. Mais ninguém para me ver tentando gritar - mas apenas tentar, porque o fato dos outros não entrarem no meu quarto não significa que não podem ouvir de fora do meu quarto -.
Eu já perdi a conta de quantas vezes chorei sozinho, quantas vezes sofri sozinho. Perdi a conta das vezes em que abafei meu choro no colchão da cama e depois fui para o banheiro para lavar meu rosto, evitando, assim, que alguém me visse com os olhos lacrimejando. Na verdade o banheiro era uma forma de continuar com meu choro sem que alguém me interrompesse ao tentar pegar emprestada uma tesoura.
Eu não quero que os outros sofram sozinhos como eu às vezes sofro. Até acho que quando outrem pode vir a mim para não sofrer sozinho e não vem, ele está sendo idiota. Mas, claro, eu que estou sendo. Estou sendo porque talvez eu esteja sendo o motivo de tal sofrimento, e, convenhamos, não é fácil curar um sofrimento olhando para quem o causa.
Eu tenho medo de que descubram que eu não sou tão bom quanto pensam, tenho medo de ser substituído. Não sou o mais inteligente, o mais paciente, o mais alto, o mais forte, nem o que tem mais dotes para ser ator pornô. E o Word está reclamando que na frase anterior a palavra “mais” foi repetida várias vezes. Foda-se.
É, são muitos medos. Mas posso resumi-los: Eu tenho medo de não ser alguém realmente bom, alguém que faça A diferença, tenho medo de não ter o amor que penso merecer, tenho medo de ficar só. E sabe o que faço com todos estes medos? Eu não me esforço (ou me esforço muito pouco) para ser a pessoa que faz ou fará a diferença. Eu não dou o amor que os outros merecem. Eu deixo os outros ficarem sós. Sim, eu alimento meus medos. Mas, não, não é porque quero, é porque eu fiquei viciado na comida da qual eu não provei. Acho que me viciei na instabilidade.
Olha, não sei mais o que escrever, não sei se tenho mais algum medo para adicionar à lista. Quer dizer, eu até tenho, mas são medos derivados daqueles que resumi, creio eu.
Se você for psicólogo e estiver lendo esse texto, por favor, não ache que eu preciso de tratamento - Eu já sei disso -. Se você for um mero transeunte entre tantas letras, por favor, tenha calma, eu acho que isso não é tão contagioso assim. É contagioso, mas você não irá pegar só por minha causa. Se você for alguém para o qual eu já disse “Eu te amo”, por favor, considere me deixar só.
Sim, eu sei, eu disse que tenho medo de ficar só, mas você não tem porque ser dono dos mesmos medos que eu. Se você quiser ser mais forte que eu e não pensar no meu medo, por favor, sinta-se livre para me deixar. Sim, eu irei ficar com raiva de você, mas só por causa dos meus medos e de como não sei o que fazer para abandoná-los. Entretanto, se você não quiser me deixar eu agradecerei. Talvez eu não demonstre isso, mas haverá em mim uma parte que te será grata.
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Sim, eu também sei que ainda não expliquei a afirmação “Eu não sei amar”, mas isso é fácil: Porque eu tenho medo.
Como último parágrafo quero deixar uma súplica: Se eu não conseguir ser o que prometo ou o que simplesmente quero, por favor, não fique com raiva de mim.
P.S.: Obrigado e até o próximo desabafo.




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